UNESP fortalece a valorização da memória negra com exposição Franca AfroRota e inauguração da Praça da Rebeldia

A Universidade Estadual Paulista (UNESP), Câmpus de Franca, promoveu durante o mês de maio uma série de iniciativas voltadas à valorização da memória negra, da cultura afro-brasileira e da luta por igualdade racial. As ações reuniram pesquisa, extensão universitária, arte e memória em torno do reconhecimento de trajetórias que marcaram a história de Franca e do país.

Entre os destaques esteve a exposição Franca AfroRota, realizada de 4 a 29 de maio no Aquário da Biblioteca. O projeto foi desenvolvido por cinco estudantes da UNESP Franca sob a orientação da Profa. Dra. Regina Claudia Laisner, co-coordenadora do NEPPs, com o objetivo de resgatar, preservar e difundir a memória da população negra francana.

A pesquisa resultou na criação de uma rota afroturística que convida a comunidade a redescobrir a cidade a partir das trajetórias de importantes personalidades negras, como o poeta Carlos de Assumpção, o intelectual e ativista Abdias do Nascimento, o educador Manoel Valim e a escritora Carolina Maria de Jesus. A iniciativa busca ampliar a visibilidade de histórias frequentemente marginalizadas nos relatos oficiais sobre a formação da cidade, transformando o espaço urbano em um território de memória, reconhecimento e pertencimento.

As ações de valorização da história negra no câmpus tiveram continuidade com a inauguração da Praça da Rebeldia, novo nome oficial do espaço central de convivência da universidade, tradicionalmente conhecido pela comunidade acadêmica como “Várzea”. A proposta, apresentada pela Profa. Dra. Regina Claudia Laisner e aprovada pela Congregação da unidade, homenageia o poema Rebeldia, de Carlos de Assumpção, cuja obra já se encontra representada no local por meio de um totem comemorativo.

A cerimônia de inauguração ocorreu em uma data especialmente simbólica: a celebração dos 99 anos de Carlos de Assumpção, poeta, intelectual e uma das mais importantes vozes da resistência negra brasileira. Ao lado de familiares, estudantes, docentes, servidores e membros da comunidade francana, o homenageado participou do evento que reafirmou o compromisso da universidade com a liberdade, a diversidade e a justiça social.

A escolha do nome “Praça da Rebeldia” representa mais do que uma mudança de denominação. O espaço é historicamente reconhecido como palco de manifestações políticas, assembleias estudantis, debates acadêmicos e mobilizações sociais que marcaram gerações de estudantes dos cursos de História, Direito, Relações Internacionais e Serviço Social. Nesse contexto, a rebeldia evocada por Carlos de Assumpção não se relaciona à desordem, mas à consciência crítica, à resistência e à defesa da dignidade humana.

Ao articular iniciativas como a exposição Franca AfroRota e a inauguração da Praça da Rebeldia, a UNESP reafirma seu papel como instituição comprometida com a produção de conhecimento socialmente relevante, a preservação da memória coletiva e o fortalecimento de práticas antirracistas. Mais do que homenagens, as ações constituem convites permanentes para que a comunidade acadêmica e a sociedade reconheçam a contribuição da população negra para a construção da história local e nacional.

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